Visão cristã
   O irmão gêmeo do Hans Küng

Caro Leitor, leia primeiro o post abaixo, depois este: aqui, as declarações de Genésio Boff (ex-Leonardo Boff). É gêmeo univitelino de Hans Küng no ódio a Bento XVI, no desprezo pela Igreja e no descompromisso com a verdade do Evangelho. Só o politicamente correto importa, só o pensamento do mundo é o critério, só o homem é a medida de todas as coisas! Eis o seu veneno, quero dizer, suas palavras:

 

Este Papa é politicamente desastrado. Irritou todas as Igrejas saídas da Reforma negando-lhes o título de Igrejas. Entrou em conflito com os muçulmanos, e agora com os judeus e todo o povo alemão, a ponto de a primeira ministra Merkel ter que intervir junto ao Vaticano.

 

Na verdade, ele pode ser um bom professor, mas é um pastor medíocre que não sabe suscitar direção à Igreja e ânimo nos fiéis.

 

Bento XVI sempre olhou com simpatia o grupo de Lefebvre, pois se move na mesma onda conservadora (...) Tais bispos são seus aliados naturais. Quando se apresentou a oportunidade, logo os indulgenciou da excomunhão.

 

 

 
Gosto pela inverdade e desgosto pela Igreja;

amor ao politicamente correto e ódio ao Papa

 

 

 

Observações minhas:

 

1. Bento XVI é politicamente desastrado, como Jesus, como Pedro, como Paulo e como todos aqueles que seguem o Evangelho. Politicamente correto é Genésio Boff por suas ideias na crista da moda e na onda do mundo. Ele sim, é sabido; Bento XVI tem a loucura da cruz e a estultice dos santos!

 

2. Quanto a irritar as Comunidades eclesiais da Reforma (não são Igrejas no sentido teológico), leia o post abaixo; quanto aos muçulmanos, leia o que já escrevi neste blog no passado; quanto aos judeus, também já escrevi sobre o tema; quanto ao povo alemão, irritou-se com o Papa os que se irritam com a Igreja católica pelo simples fato de sua existência... Quanto à Angela Markel, primeira-ministra da Alemanha, falou bobagem, foi criticada por vários políticos, telefonou para o Papa e ficou calminha, calminha... É que a Alemanha está em tempo de campanha eleitoral e a protestante Angela Merkel quis tirar uma casquinha às custas do Papa...

 

3. Quanto ao Papa Bento XVI ser um pastor medíocre, penso não precisar comentar. Os fatos falam por si mesmos. Só um cego pelo despeito e a raiva diria um asneira dessas... Ah, não esqueçam: foi o Boff quem foi à falecida União Soviética e voltou afirmando que viu lá o Reino de Deus; foi o Boff quem disse que este Papa nunca seria amado. Agora, já que o Reino de Deus na União Soviética foi para o beleléu, pelo menos ele tem que fazer a gente crer que este Papa é medíocre e odiado... Ô, coitado!

 

4. Bento XVI tem dialogado com os lefebvrianos, com os ortodoxos (veja a mensagem do novo Patriarca ortodoxo de Moscou, que postei abaixo), com os muçulmanos, com os judeus e com os protestantes. Seu interesse é a unidade da Igreja e a compreensão entre os homens. O problema é que, para Boff, Küng e o pessoal do “espírito do Concílio”, ser tradicionalista é pior que ser amigo de Satanás: tradicionalista, no gosto desse pessoal, merece fogueira! É um pessoal tão coerente, esse, tão respeitoso de quem pensa diferente... É a lógica da esquerda (festiva).

 

 


Bento XVI recebendo líderes judeus,

ontem, no Vaticano,
para triesteza de Boff e desilusão de Küng



Escrito por Pe. Henrique às 23h20
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   Hans Küng: teólogo dele mesmo

Caro Internauta, você já deve ter ouvido falar do teólogo Hans Küng. Há alguns textos neste blog e no meu site sobre ele. Trata-se de um teólogo rebelde, que sempre quis ser mais estrela que católico, sempre desejou que suas idéias tivessem mais verdade que a fé da Igreja e sempre usou a mídia para denegrir a Igreja que o gerou para Cristo e o formou como teólogo. Uma ponta de raiva e ódio todo especiais, Hans Küng sempre reservou para o Papa Bento XVI. Aqui, um triste exemplo, a propósito da polêmica em torno da suspensão das excomunhões dos Bispos tradicionalistas. Devo logo recordar-lhe que Hans Küng não crê na infalibilidade da Igreja nem do seu magistério e não crê em vários pontos da fé católica: é a favor das relações pré-matrimoniais entre noivos, é a favor da comunhão dos recasados, é a favor do sacerdócio feminino e de tudo quando nos afaste da Tradição católica e apostólica... Eis trechos do seu texto e vejam a que leva a soberba humana:

 

 

 
Pe. Küng: ódio ao Papa,
desprezo pela Igreja

 

 

O Papa Bento, infelizmente, embarca cada vez mais numa linha reacionária. Que, precisamente agora, quando se completam os 50 anos do anúncio do segundo Concílio Vaticano por parte de João XXIII, suspenda a excomunhão de pessoas que rechaçam os melhores resultados desse Concílio, é a gota que faltava. (Observação minha: A velha e surrada tática: recordar a figura de João XXIII, como se esse Papa fosse o oposto de todos os seus sucessores. É falso! O João XXIII da cabeça dessa gente nunca existiu – é a mesma coisa do “espírito do Concílio”, termo usado para apadrinhar tudo quanto é doidice e ruptura com a reta fé da Igreja. Note também a hipocrisia: cita João XIII, o tolerante, mas tem raiva de Bento XVI porque suspendeu a excomunhão de quatro Bispos. Quem é o inquisidor? Quem é o intolerante? É sempre a mesma lógica hipócrita: viva a liberdade de expressão, contanto que seja para dizer o que eu penso e concordar comigo. É a patologia de sempre do pensamento de esquerda. Ainda uma última coisa: não adianta rotular o Santo Padre como reacionário! Isso dá medo a quem é covarde: basta gritar “conservador” e o covarde corre com medo! Bento XVI não é reacionário; deseja somente o bem e a unidade da Igreja – valores que, certamente, não são as prioridades de Hans Küng).

 

“Não deixou de andar na contramão das conquistas do Concílio: na revalorização da velha missa em latim, na reintrodução da oração pela “conversão” dos judeus e, agora, até com a suspensão do castigo eclesiástico imposto aos inimigos do Concílio”. (Observação minha: É incrível a capacidade de deturpar, de ser falacioso desse pessoal: a “velha” missa em latim nunca fora abolida. O Santo Padre tem procurado reequilibrar as coisas na Igreja, fazendo como o sábio escriba do Evangelho, que tira de seu tesouro coisas novas e velhas. Mas, a Hans Küng e companhia interessa somente o politicamente correto, a secularização, a rendição ao espírito da modernidade para ganhar os aplausos dos bem-pensantes, mesmo que eles não queiram saber da conversão a Cristo nem de Igreja! Quanto à oração pela conversão dos judeus, é uma inovação que Bento XVI estabeleceu no rito de São Pio V, para tirar o velho texto que falava em “pérfidos judeus”. Hans Küng não quer falar em conversão de ninguém, porque para ele ninguém precisa se converter: não existe a verdade a não ser a de cada um! Aliás: só quem precisa de conversão são os lefebvrianos e os conservadores e o Papa!)

 

Foi para ele [João Paulo II] que conduziu todos os procedimentos contra os teólogos rebeldes “de esquerda”. Nenhum deles conseguiu um trato tão excelente como este agora oferecido aos tradicionalistas. Além disso, Ratzinger contribuiu de maneira substancial para a elaboração dos documentos doutrinais mais reacionários de João Paulo II: pense, por exemplo, na posição doutrinal pretensamente “infalível”, segundo a qual o bom Deus não quer mulheres sacerdotes.” (Observação minha: Aqui Hans Küng mente miseravelmente! Todos os teólogos repreendidos pela Santa Sé tiveram chance de defesa; e nenhum deles nunca foi excomungado, a começar por Hans Küng, que apesar do que diz sobre João Paulo II e Bento XVI, continua sacerdote! Quanto à doutrina da não ordenação de mulheres ao sacerdócio, não é pretensamente infalível, mas é, de fato, infalível, quer Hans Küng goste ou não. Ele passará; a fé da Igreja permanecerá. Tem sido sempre assim...).

 

O Papa Bento XVI corre grande risco de passar para a história como o Papa das brusquidões: primeiro, negou o caráter de Igreja aos protestantes, depois, em sua infeliz Conferência de Regensburg marcou o Islã com o estigma da desumanidade, e agora, ofende os judeus readmitindo na Igreja um negador do Holocausto. (Observação minha: Meia verdade com meia verdade dá uma mentira! As denominações protestantes são Igrejas? Não! Segundo a fé católica, expressa no Concílio Vaticano II (!!!), elas são Comunidades eclesiais. Para uma comunidade cristã ser teologicamente Igreja, é necessário que tenha a Eucaristia em sentido pleno e o Episcopado na sucessão apostólica. Faltam aos irmãos protestantes estes dois elementos. “Igrejas” são as dioceses ortodoxas e os velhos-católicos, separados de Roma após o Vaticano I. Isto não tem nada a ver com Bento XVI; isto é doutrina católica, bem explicitada no Concílio Vaticano II, que Hans Küng não aceita de fato – ele aceita o “espírito do Concílio”, invenção dele e de seus companheiros.. – É o pessoal da revista “Concilium”).

 

 

 
O Santo Padre: a difícil missão de confirmar na fé os irmãos,

suportando afrontas e difamações com a paciência de Cristo.

A ele, nosso amor filial e total solidariedade orante.



Escrito por Pe. Henrique às 22h58
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   Cura-me da lepra do meu pecado!

 

Um grande mal da nossa época, uma grande ilusão, é achar que não temos pecado, pensar que somos maduros e integrados. Não somos capazes de reconhecer nossas lepras, somos incapazes de suplicar, de joelhos: “Senhor, se queres, podes curar-me!” E por que isso? Porque somos auto-suficientes: olhamo-nos, examinamo-nos não à luz do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus, mas à luz de nós mesmos. Pensamos que somos senhores do bem e do mal, do certo e do errado!

 

É tão comum vivermos de modo contrário à vontade do Senhor e ainda, cheios de orgulho e soberba, dizermos que estamos certos... É tão comum querermos moldar Jesus e a sua Palavra à nossa vontade... É tão freqüente a ilusão que podemos jogar na lata do lixo o ensinamento da Igreja, sobretudo no campo moral... E assim, vamos construindo nossa vidinha do nosso modo, modo de pecado, modo de lepra, modo de doença: doença da ida, da descrença, da indiferença, da falta de fé!

 

Reconheçamo-nos pecadores! Mostremos ao Senhor a nossa lepra! Como fazê-lo? Primeiramente, deixando que sua Palavra nos fale e nos mostre nossos erros, nossas manhas, nossos males. Depois, à luz da Palavra do Senhor, façamos, com freqüência, o sincero exame de consciência e tenhamos a coragem de olhar de frente o que pensamos, falamos e fazemos contrário ao Senhor. Finalmente, sinceramente arrependidos, procuremos o Senhor no sacramento da Confissão e, confessando nossos pecados, busquemos o perdão, a cura do Cristo, nosso Deus.

 

Quantas vezes evitamos a Confissão! Quantas vezes fugimos na tal da Confissão comunitária, desobedecendo às normas da Igreja, que só a permitem em casos raros e graves. A Confissão, então é inválida e acrescentamos aos pecados cometidos, mais estes: a desobediência à norma de Igreja e a soberba de nos julgar autossuficientes. Deveríamos aprender do Salmista, na missa deste Domingo: “Eu confessei, afinal, meu pecado, e minha falta vos fiz conhecer. Disse: ‘Eu irei confessar meu pecado!’ E perdoastes, Senhor, minha falta!” Mas, não! Teimamos em não levar a sério nosso próprio pecado! Julgamo-nos juízes de Deus e da Igreja! Terminamos, então por comungar indignamente, esquecendo que a Eucaristia, se traz vida para quem a recebe bem, traz também morte para quem não a recebe com as devidas disposições...

 

Chega de um cristianismo morno, chega da falta de coragem de nos olharmos de frente! Senhor, cura-nos! Senhor, somos leprosos, somos pecadores, nossos pecados mancham não a nossa pele, mas o nosso coração, o mais profundo da nossa alma! Senhor, de joelhos, como o leproso do Evangelho, te suplicamos: cura-nos e seremos curados! Dá-nos a graça de reconhecer nossos pecados; reconhecendo-os, dá-nos a coragem e sinceridade de confessá-los; confessando-os, dá-nos a graça de experimentar teu perdão, de cumprir generosamente a penitência e de procurar com responsabilidade emendar a nossa vida! Tem piedade de nós, ó Autor da graça e Doador do perdão! A ti a glória para sempre! Amém.

 

 

 

 



Escrito por Pe. Henrique às 22h24
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   Ele me tocou!

Para nos guiar na meditação da Palavra de Deus deste Domingo, tomemos o Evangelho que acabamos de ouvir. “Um leproso chegou perto de Jesus”. No tempo de Cristo, toda doença na pele que oferecesse perigo de contágio era considerada um tipo de lepra; tornava a pessoa impura. Ouvimos na primeira leitura: “O homem atingido por esse mal andará com as vestes rasgadas, os cabelos em desordem e a barba coberta, gritando: ‘Impuro! Impuro!’ Durante todo o tempo em que estiver leproso será impuro; e, sendo impuro, deve ficar isolado e morar fora do acampamento”. Eis! É alguém assim que se aproxima de Jesus: ferido, excluído do convívio da Assembléia de Israel, colocado fora da Cidade, um morto-vivo... Um leproso não podia tocar as pessoas: elas se tornariam impuras como ele; um leproso não convivia com sua família, não podia entrar na Casa do Senhor para rezar com seus irmãos: era um ninguém: “Impuro! Impuro!” – ele gritava, com a barba coberta em sinal de luto e profunda tristeza...

 

É um homem assim que se aproxima de Jesus; tem a ousadia de chegar junto dele, sem medo de ser repelido, repreendido, desprezado. E, do fundo de sua miséria, ele suplica: “Se queres, tens o poder de curar-me”. O que fará Jesus? Sua reação é absolutamente inesperada: ele faz algo que a Lei proibia: “Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão, tocou nele, e disse: ‘Eu quero: fica curado!’” O Senhor estendeu a mão, o Senhor tocou o leproso! Não precisava fazê-lo, não deveria fazê-lo! Segundo a Lei, Jesus deveria ficar impuro também, ao menos até o entardecer... Por que tocou o leproso? Não poderia tê-lo curado sem tocá-lo? O próprio Evangelho explica: ele teve compaixão! Quis estar próximo daquele miserável, quis que ele se sentisse amado, acolhido! Jesus não nos ama de longe, não vê de modo indiferente a nossa miséria: ele se faz próximo, ele nos toca, ele compartilha nossa dor! Assim Deus faz conosco! E, para nossa surpresa, ao invés da impureza contagiar Jesus, é Jesus que contagia o leproso com a sua pureza! Eis! O Reino chegou: em Jesus, Deus vai libertando a humanidade de toda sua lepra, da lepra do seu pecado! Na ação de Jesus, compreendemos que o amor é mais forte que o egoísmo, que a luz é mais forte que a treva, que o bem é mais forte que o mal, que a graça é mais poderosa que o pecado, que a vida é capaz de vencer a morte! “No mesmo instante a lepra desapareceu e ele ficou curado”. Eis o bem, eis a graça, eis a salvação que o Senhor nos veio trazer! O Profeta Isaías, havia anunciado: “Ele tomou sobre si as nossas dores, ele carregou-se com os nossos pecados! Era nossas enfermidades que ele levava sobre si, as nossas dores que ele carregava (Is 53,4-5). Jesus curou o leproso e o Evangelho diz que ele “não podia mais entrar publicamente numa cidade: ficava fora, em lugares desertos.” Vede bem que, com essa linguagem, o Evangelho deseja afirmar que Cristo, curando o leproso, assumiu o seu lugar: agora, o homem que antes vivia nos lugares desertos, entra na cidade, volta a ser alguém; quanto a Jesus, fica fora, assume o lugar do homem: tomou sobre si as nossas dores!

 

 

 

 

 

 



Escrito por Pe. Henrique às 22h16
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   Leituras para o VI Domingo Comum - B

Leitura do Livro do Levítico (Lv 13,1-2.44-46)

1O Senhor falou a Moisés e Aarão, dizendo: 2"Quando alguém tiver na pele do seu corpo alguma inflamação, erupção ou mancha branca, com aparência do mal da lepra, será levado ao sacerdote Aarão ou a um dos seus filhos sacerdotes. 44Se o homem estiver leproso é impuro, e como tal o sacerdote o deve declarar.

45O homem atingido por este mal andará com as vestes rasgadas, os cabelos em desordem e a barba coberta, gritando: Impuro! Impuro! 46Durante todo o tempo em que estiver leproso será impuro; e, sendo impuro, deve ficar isolado e morar fora do acampamento".

 

Salmo Responsorial (Sl 31)

Sois, Senhor, para mim, alegria e refúgio.

 

Feliz o homem que foi perdoado

e cuja falta já foi encoberta!

Feliz o homem a quem o Senhor

não olha mais como sendo culpado,

e em cuja alma não há falsidade!

 

Eu confessei, afinal, meu pecado,

e minha falta vos fiz conhecer.

Disse: “Eu irei confessar meu pecado!”

E perdoastes, Senhor, minha falta.

 

Regozijai-vos, ó justos, em Deus,

e no Senhor exultai de alegria!

Corações retos, cantai jubilosos!

 

Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios  (1Cor 10,31—11,1)

Irmãos: 10,31Quer comais, quer bebais, quer façais qualquer outra coisa, fazei tudo para a glória de Deus. 32Não escandalizeis ninguém, nem judeus, nem gregos, nem a Igreja de Deus. 33Fazei como eu, que procuro agradar a todos, em tudo, não buscando o que é vantajoso para mim mesmo, mas o que é vantajoso para todos, a fim de que sejam salvos. 11,1Sede meus imitadores, como também eu o sou de Cristo.

 

Aleluia, Aleluia, Aleluia (Lc 7,16)

Um grande profeta surgiu,

surgiu e entre nós se mostrou;

é Deus que seu povo visita,

seu povo meu Deus visitou!

 

Evangelho de Jesus Cristo, segundo Marcos (Mc 1,40-45)

Naquele tempo, 40um leproso chegou perto de Jesus e, de joelhos, pediu: “Se queres, tens o poder de curar-me”. 41Jesus, cheio de compaixão, estendeu a mão, tocou nele e disse: “Eu quero: fica curado!” 42No mesmo instante a lepra desapareceu e ele ficou curado. 43Então Jesus o mandou logo embora, 44falando com firmeza: “Não contes nada disso a ninguém! Vai, mostra-te ao sacerdote e oferece, pela tua purificação, o que Moisés ordenou, como prova para eles!” 45Ele foi e começou a contar e a divulgar muito o fato. Por isso Jesus não podia mais entrar publicamente numa cidade; ficava fora, em lugares desertos. E de toda parte vinham procurá-lo. 



Escrito por Pe. Henrique às 19h16
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   Estudo bíblico-catequético para o VI Domingo Comum - B

1. Tome a primeira leitura:

è À primeira vista, as prescrições da Lei de Deus sobre a lepra parecem desumanas, severas demais: o leproso é alguém que, além da doença, é praticamente jogado na marginalidade, é um morto-vivo, separado da família e da comunidade santa de Israel. Que pensar de uma situação assim?

è Primeiro: na verdade estas normas eram um modo de proteger toda a população da contaminação de uma doença que não tinha cura e apavorava; era uma espécie de quarentena, de cinturão sanitário.

è Mas, a questão mais importante são as lições teológicas que tais normas nos dão:

è (1) Deus pode dar ao homem seus preceitos e o homem deve cumpri-los. Não cabe a nós julgar Deus, mas a Deus nos julgar e educar. Note que atualmente, no nosso mundo do politicamente correto e dos direitos do homem, esquecemos o direito divino e infinito do senhor Deus: ele é Deus e nossa adesão a ele deve ser total e inquestionável. Quando o homem julga Deus é porque já não crê: julga-se mais sábio que Deus e acima dele. Leia Is 10,15; Gn 22.

è (2) Esta prescrição da Lei nos dá a ideia da santidade de Deus: a lepra carcome os membros, como que matando a pessoa. Ora, Deus é Vida e nada que tenha relação com a morte pode aproximar-se dele: ele é o Santo, o Vivente. Por isso o leproso não podia entrar no Santuário. Perdemos também atualmente muito dessa noção da santidade de Deus, do respeito, do temor reverencial que lhe devemos ter. Leia Ex 3,1-6; Is 6,1-5.

è É bom recordar: a lepra é imagem do nosso pecado, que carcome nosso coração e nossa vida. Pensando nisso, reze o Salmo responsorial da Missa de hoje.

 

2. Quanto à segunda leitura, observe:

è Tudo, na vida do cristão, deve ser para a glória de Deus: seu trabalho, seu dinheiro, seus amores, sua inteligência, seu prestígio, sua família. Tudo deve ser relacionado com Deus, deve ser caminho para Deus. Leia a 1Pd 4,10-11. Vale a pena perguntar que aspectos da sua vida não estão em função da glória de Deus... O que estiver fora disso torna-se um ídolo que compete com Deus no nosso coração!

è A nossa vida, exatamente porque somos cristãos, deve ser um motivo de edificação e não de escândalo para os outros. Leia o v. 32. Leia também Lc 17,1-2 e Mt 5,13-16.

è Paulo nos convida a imitá-lo. Em quê? No fato de fazer-se tudo para todos, de evitar as contraposições desnecessárias, a dureza de posição que causa divisão e fraturas na Igreja e nos lares... Refaça a leitura a partir do v. 33.

 

3. Vamos ao Evangelho:

è Procure imaginar a cena e recorde a situação humana desse leproso, tal como descrita na primeira leitura.

è Observe que esse homem não é revoltado, não amaldiçoa Deus, não tem um comportamento soberbo, de cobrança. Com humildade, de joelhos, ele suplica a Jesus: “Se queres...”

è Compare esta atitude com as suas, nos momentos difíceis da vida...

è Observe agora a atitude de Jesus: cheio de compaixão! Leia Ex 34,6; Os 11,7-9; Is 49,14-16. Reze o Sl 102/103.

è Observe ainda que Jesus o toca. Era proibido tocar alguém impuro; quem o tocasse ficava também impuro. Mas, agora, é o Puro que enche de pureza o impuro, não o contrário. Eis: o Reino de Deus chegou para nós, o bem vence o mal, a luz vence as trevas, a pureza vence a impureza!

è Note também a autoridade de Jesus: ele não reza para fazer o milagre; simplesmente diz: “Eu quero!” Ele é Deus, sua vontade é onipotente!

è Jesus manda o leproso mostrar-se ao sacerdote. Por quê? Primeiro porque somente o sacerdote poderia declarar a cura acontecida. A Lei não cura (quem cura é Jesus); a Lei apenas pode constatar a cura! É Cristo, não a Lei, quem nos liberta. Além do mais, é um modo de o representante da Lei testemunhar que chegou Aquele que tira o pecado do mundo, que nos limpada lepra do pecado.

 

4. Medite nestas palavras:

è O leproso não se aproxima de Jesus porque é justo e puro, mas precisamente porque é impuro e imundo, porque é perdido e necessitado da misericórdia de Deus!

è Olhando esse leproso, nossa máscara deveria cair! Temos a tendência farisaica de nos aproximar do Senhor não para sermos justificados por ele, mas para nos justificar a nós mesmos. Em outras palavras: dele nos aproximamos quando dele nos julgamos dignos! Aqui está nossa atitude errada, farisaica, pré-cristã! Somos, alguma vez, dignos do amor de Cristo? Jesus é o Salvador, o nosso Salvador, o meu Salvador: o nosso mal é o único título válido para que nos aproximemos dele...

è Somente nossa fraqueza, nossa impossibilidade de nos limparmos sozinhos é que justifica que corramos ao seu encontro e nos prostremos, como esse leproso! Prostrado, o pobre homem reconhece o senhorio de Cristo, daquele que veio até nós para tomar nossas dores, sendo tratado como um leproso (cf. Is 53,3-5) e fazendo-se maldição por nós (cf .Gl 3,13).

è É impressionante a humildade e ao mesmo tempo a confiança deste homem: “Se queres, tens o poder...” Não impõe, não reclama, não descrê; somente suplica com toda confiança, do fundo da sua miséria! Quando, no Segundo Livro dos Reis, Naamã veio da Síria para ser curado e colocou-se diante do rei Jorão de Israel, este exclamou aflito: “Acaso sou um deus, que possa dar a morte e a vida, para que esse me mande um homem para eu curá-lo de lepra?” (2Rs 5,7).

è Este leproso sem nome, prostrado diante de Jesus sabe que o seu nome significa “Deus salva” e, vendo nele o Salvador, vem suplicar-lhe por vida. Jesus sim, é a salvação de Deus, é o braço do Deus salvador: o que é impossível ao homem não é impossível para ele: “Nada é impossível para ti!”

è E, no entanto, o leproso não diz: “Tu podes e deves curar-me; tu podes e tens que curar-me”... Diz, de modo pobre, de quem sabe que não tem direito algum ante Deus: “Se queres, tens poder...”



Escrito por Pe. Henrique às 19h15
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   Darwin e o cristianismo

Caro Leitor, leia este texto, aparecido em www.acidigital.com:

 

O Pe. Marc Leclerc, Professor de Filosofia da Natureza da Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, explicou em um artigo aparecido em L'Osservatore Romano que não existe, em concreto, um problema com a teoria da evolução de Darwin: o problema está na ideologia criada a partir da teoria.

 

No artigo titulado "O problema não é a teoria, mas sim a ideologia", o perito jesuíta esclarece que no passado e com mais força na atualidade "muitos, sejam partidários ou adversários de Darwin, confundiram sua teoria científica da evolução – que deve discutir-se em nível científico entre pessoas competentes – com sua própria redução a um sistema ideológico, a uma visão do mundo que forçosamente recai em todos os homens".

 

O Pe. Leclerc ressalta logo que "como escrevia justamente o então Cardeal Ratzinger, a polêmica não nasceu com a teoria da evolução, mas, de erigir alguns de seus elementos em filosofia universal, em 'chave de interpretação da inteira realidade'".

 

O autor de "A Origem das Espécies", prossegue o sacerdote, "aplicava sua teoria da seleção natural a como emergiu nossa espécie, mas não ao funcionamento das atuais sociedades humanas, sublinhando, em vez disso, como um caráter benéfico para a espécie a aquisição de faculdades morais e religiosas que levam a homem a proteger ao mais débil, ao contrário das absurdas pretensões do darwinismo social".

 

"Evolução e criação não apresentam entre elas a menor oposição, mas sim se revelam em tudo complementares", precisa.

 

Para o Pe. Leclerc, será de particular importância "a reflexão sobre o lugar do homem na evolução e na criação. O homem, como ser vivente, pode encontrar seu próprio lugar na evolução da espécie, que, em uma leitura post factum, preparou a muito tempo sua vinda. Mas o homem não pode reduzir-se, sem contradições, ao puro produto da evolução da espécie: em outras palavras, o homem não é redutível à própria animalidade".

 

Então, prossegue o perito jesuíta, "uma boa crítica filosófica mostra que o homem pode justificar os primeiros princípios de seu conhecimento. O ser humano dispõe de uma capacidade de reflexão, de autoconsciência, de liberdade que transcendem necessariamente a pura animalidade e que não podem ser o simples produto da evolução".

 

Finalmente, assinala o sacerdote, "como afirma com justiça a teologia católica, toda pessoa humana é objeto de um ato criador singular de parte de Deus, que também se inserida naturalmente na espécie do homo sapiens, e aparece ao final como o cume de um imenso processo evolutivo do que já se começam a descobrir alguns dos segredos".

 

Observação minha:

 

Realmente, não há oposição alguma entre a fé cristã e a teoria da evolução. Nada impede de ver na dinâmica evolutiva o desígnio sábio de Deus, para quem mil anos é como um dia e um dia como mil anos. O Senhor foi levando adiante sua criação para que tudo confluísse no homem, criado à imagem de Deus e, finalmente, esse homem recebesse a adoção filial pelo Filho feito homem entre os homens, para divinizar a humanidade e toda a criação.

 

O problema é quando se deseja, impropriamente, por pura ideologia, ler tudo, de modo artificial e forçado, à luz da evolução: a sociedade, os instintos e a psique humana, a vida social, a sexualidade e a moral... Outro problema é quando se tenta usar a evolução para, de modo absolutamente infantil, negar Deus. Não se percebe que por trás da dinâmica da evolução está a ação sábia de Deus...

Charles Darwin:
sua teoria não se contrapõe à fé cristã.



Escrito por Pe. Henrique às 00h20
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   Do Patriarca de Moscou para o Papa

O novo Patriarca de Moscou e chefe espiritual da Igreja Ortodoxa Russa, Cirilo (Kiril) I, enviou mensagem ao Santo Padre, augurando “um frutífero desenvolvimento” das relações entre a Igreja católica e a Igreja russa. A mensagem do Patriarca era para agradecer pelas felicitações que o Papa lhe enviou por ocasião de sua eleição. Cirilo I afirmou que “entre os muitos deveres que se apresentam ao primaz da Igreja Ortodoxa Russa, uma das prioridades é a necessidade fundamental de testemunhar e afirmar os valores do Evangelho de Cristo na sociedade contemporânea”.

 

Cirilo se diz convencido de que para isso devem contribuir o diálogo e a colaboração de todos aqueles que se chamam cristãos, e por isso assegura ao Papa que a Igreja Ortodoxa Russa “continuará imutavelmente aberta à cooperação com todos que se declaram seguidores do Senhor Jesus Cristo e mantêm a visão tradicional dos conteúdos da mensagem que os cristãos devem levar ao mundo contemporâneo”.

 

“Entre os colaboradores neste campo, a Igreja Católica de Roma ocupa um lugar particular; um lugar particular nos esforços comuns dos cristãos, orientados a conseguir as finalidades expostas, é o ocupado pelo senhor pessoalmente, Santidade”, acrescenta, dirigindo-se ao Pontífice romano”.

 

“Espero sinceramente um frutífero desenvolvimento das relações entre as nossas Igrejas», conclui a mensagem, e deseja a Bento XVI “paz, saúde e ajuda de Deus em sua tarefa”, saudando-o “com afeto no Senhor”.

 

 

 

 



Escrito por Pe. Henrique às 19h30
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   Indulgências: coisa séria

Caro Leitor, num post abaixo fiz observações sobre a mídia em relação à Igreja. Aqui vai um bom exemplo, aparecido no “The New York Times”, sempre hostil à Igreja. Note como é fácil fazer aparecer pueril e ridícula uma coisa que é séria... Aí vai o artigo quase todo e algumas observações minhas. Tome um digestivo leve e, coragem, leia!

 

 

O anúncio em boletins e websites da igreja foram recebidos com entusiasmo por alguns e com cautela por outros. Mas, acima de tudo, ele não foi compreendido por uma vasta geração de membros da Igreja Católica que não fazem ideia do que isso significa: "Bispo anuncia indulgência plenárias".

 

Nos últimos meses, dioceses de todo o mundo têm oferecido aos católicos um benefício espiritual que há décadas deixou de ser popular - a indulgência, uma espécie de anistia dos pecados para evitar punições após a morte -, além de lembrá-los de como a igreja tem capacidade de mitigar o preço do pecado. (Observação minha: Note o Leitor que quem escreveu este texto foi algum ateu ou protestante norte-americano, que não sabe nada sobre a doutrina das indulgências. Se você quiser saber mais sobre o tema, procure no meu site em “Doutrina católica”, o texto: “Indulgências: o que é isso?”)

 

O fato de que muitos católicos com menos de 50 anos jamais procuraram obter indulgências, e nunca ouviram falar delas exceto no segundo grau, nas aulas de história europeia (quando Martinho Lutero denuncia a venda de indulgências em 1517, fazendo com que tenha início a Reforma Protestante), simplesmente torna a reintrodução delas mais urgente para aqueles líderes da igreja que desejam restaurar tradições de penitência em declínio naquilo que eles veem como um mundo auto-satisfeito. (Observação minha: Não se trata de “restaurar tradições”: a doutrina sobre as indulgências são parte integrante da fé católica. Se nas últimas décadas não se falou dela, é por deficiência de catequese e evangelização. Só isto! Falou-se muito em indulgências por ocasião do Ano Santo de 2000...)

 

"Por que estamos trazendo as indulgências de volta?", pergunta o bispo Nicholas A. DiMarzio, do Brooklyn, que apóia a medida. "Porque existe pecado no mundo".

 

Assim como a missa em latim e as sexta-feiras sem carne, a indulgência é uma das tradições que foi retirada das práticas normais dos católicos na década de 1960 pelo Concílio Vaticano Segundo, a reunião de bispos que estabeleceu um novo tom de simplicidade e informalidade para a Igreja. (Observação minha: Lá vem a bobagem da mídia! É o que eu escrevi num post anterior! O Vaticano II nunca eliminou a doutrina sobre as indulgências ou a prática da abstinência de carne às sextas-feiras. Tampouco “estabeleceu um tom de simplicidade e informalidade na Igreja” – para o Concílio, a Igreja não é a casa da sogra: é lá que o tom é de informalidade!) O retorno da indulgência é visto como parte de uma ressurgência conservadora que gerou algumas mudanças discretas e outras altamente polêmicas, como a recente decisão do papa Bento 16 de suspender a excomunhão de quatro bispos cismáticos que rejeitam as reformas impostas pelo Concílio. (Observação minha: Quando a afirmação é cretina demais, dispensa comentários. É o caso aqui).

 

A indulgência é uma das tradições menos notadas e menos contestadas a ser restaurada. Mas com mil anos de história e volumes de leis eclesiásticas dedicados aos seus detalhes, ela é uma das mais complicadas de se explicar.

 

Segundo os ensinamentos da Igreja, mesmo após os pecadores terem sido absolvidos no confessionário e rezarem os Pais Nossos e Aves Marias como penitência, eles ainda podem ser punidos após a morte, no Purgatório, antes de ingressarem no Paraíso. Em troca de certas rezas, devoções e peregrinações em anos específicos, os católicos podem receber uma indulgência que reduz ou apaga instantaneamente a punição, sem nenhum sacramento ou cerimônia formal.

 

Existem as indulgências parciais, que reduzem o tempo de purgatório em uma certa quantidade de dias ou anos, e as indulgências plenárias, que eliminam completamente essa pena, até que um outro pecado seja cometido. O fiel pode obter uma indulgência para si próprio ou para alguém que já morreu. Não é possível comprar indulgências - a igreja proibiu a venda de indulgências em 1567 - mas doações de caridade, combinadas a outros atos, podem ajudar a pessoa a receber uma indulgência. Há um limite de uma indulgência plenária diária por pecador. (Observação minha: Insisto: quem desejar saber o que são as indulgências, leia o artigo que já indiquei ou o Catecismo da Igreja Católica e não este ilustrado artigo do catolicíssimo The New York Times!).

 

Ela não pode ser adquirida depois que se está no purgatório.

 

"O que é isso?", pergunta Marta de Alvarado, 34, que é caixa de um banco em Manhattan, quando lhe dizem que as indulgências estarão disponíveis neste ano em várias igrejas da cidade de Nova York. "Eu simplesmente não sei nada a respeito disso", confessa Alvarado, ao deixar a Catedral Saint Patrick na hora do almoço. "Porém, vou pesquisar".

 

O retorno das indulgências teve início com o papa João Paulo II, que autorizou os bispos a oferecerem essa espécie de anistia em 2000, como parte da comemoração do terceiro milênio da igreja. Mas as ofertas aumentaram bastante sob o seu sucessor, o papa Bento, que tornou as indulgências plenárias parte das comemorações do aniversário da igreja nove vezes nos últimos três anos. A oferta atual está vinculada à comemoração de São Paulo, que tem um ano de duração e que vai até junho. (Observação minha: Para que você, meu Leitor, saiba o que o douto jornalista não sabe: o Papa Paulo VI promulgou manuais para a reta compreensão e prática das indulgências em 29.06.68, e João Paulo II estabeleceu regras em 15.05.86...)

 

As dioceses dos Estados Unidos têm respondido com diferentes graus de entusiasmo. A oferta deste ano foi promovida energicamente em lugares como Washington, Pittsburgh, Portland, no Oregon, e Tulsa, em Oklahoma. Ela apareceu proeminentemente no website da Diocese do Brooklyn, que anunciou que qualquer católico poderá receber uma indulgência em quaisquer das seis igrejas em qualquer dia, ou em dezenas de outras em dias específicos, caso preencham os requisitos básicos: ir ao confessionário, receber a sagrada comunhão, rezar uma oração ao papa e "desvincular-se completamente de qualquer inclinação ao pecado".

 

Mas na adjacente Arquidiocese de Nova York, as indulgências só estão disponíveis em uma igreja, e o website não faz nenhuma menção a elas ("O cardeal Edward M. Egan encoraja todas as pessoas a receber as bênçãos das indulgências", diz o seu porta-voz, Joseph Zwilling, que acrescenta que sabia que a oferta não aparecia no website, garantindo que em breve ela será incluída).

 

Segundo os especialistas, as indulgências costumam ser anunciadas mais abertamente nas dioceses nas quais o bispo é mais tradicionalista, ou em locais onde há pouca tensão entre os católicos liberais e os conservadores. (Observação minha: Este é o modo como os de fora, da imprensa, veem a Igreja: sempre um combate entre progressistas e conservadores...)

 

"Na nossa diocese, as pessoas ficam satisfeitas com qualquer oportunidade de fazer algo de natureza católica", afirma Mary Woodward, diretora de evangelização da Diocese de Jackson, no Estado do Mississípi, na qual apenas 3% da população é católica. Ela conta que recentemente os paroquianos compareceram à igreja para se informarem a respeito das indulgências. Segundo ela, a pergunta que eles mais fizeram foi: "O que mesmo eu tenho que fazer para obter uma indulgência?".

 

Mas até mesmo alguns padres admitem que é difícil entender as regras.

 

"Não é muito fácil explicar as indulgências a pessoas que nunca ouviram falar delas", diz o padre Gilbert Martinez, da Igreja Saint Paul the Apostle, em Manhattan, o local designado na Arquidiocese de Nova York para a obtenção de indulgências. "Mas, é interessante: muita gente veio até mim e disse, 'Padre, não me confesso há 20 anos, mas a disponibilidade de indulgências me faz pensar que talvez não seja tarde demais'".

 

Na verdade, um dos principais motivos para a reintrodução das indulgências foi trazer os católicos de volta ao confessionário. Em um discurso em 2001, o papa João Paulo 2º descreveu o renascimento dessa tradição como "um feliz incentivo" à confissão.

 

"As confissões estão em declínio há anos, e a igreja está muito preocupada com isso", diz o padre jesuíta Tom Reese, ex-editor da revista semanal católica "America". "Em uma cultura secularizada de psicologia pop e auto-ajuda, a igreja deseja que a ideia de 'pecado pessoal' volte a fazer parte da equação. As indulgências são uma maneira de lembrar as pessoas da importância da penitência".

 

"A boa notícia é que não estamos mais vendendo as indulgências", acrescenta ele. (Observação minha: Esta é uma afirmação absolutamente cretina – desculpe-me o Leitor, se for muito sensível! Aliás, a revista “América”, dos jesuítas norte-americanos, não é o melhor exemplo de ortodoxia nem de fidelidade a Roma... O resto do artigo não tem muito mais de interessante: é somente a palavra de alguns teólogos que pouco ou nada têm de católicos, encontrando sempre motivos para mostrar que são mais sábios e cristãos que a Igreja de Cristo...)

 



Escrito por Pe. Henrique às 17h05
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   A mídia e a Igreja; a Igreja na mídia

Todos vimos, recentemente, a tremenda polêmica surgida em torno do Santo Padre Bento XVI porque ele suspendeu a excomunhão dos quatro Bispos tradicionalistas que haviam sido excomungados em 1988, quando foram sagrados Bispos sem a permissão do Papa. É lei da Igreja: ninguém pode ser ordenado ao Episcopado sem a permissão do Sucessor de Pedro. Um Bispo que ordenasse outros e quem se fizesse ordenar sem a anuência do Santo Padre é excomungado automaticamente.

 

O Papa Bento, querendo remediar o cisma, a separação desses Bispos e seus seguidores (cerca de 400.000 pessoas) em relação à Igreja, suspendeu a excomunhão desses prelados para que se possa iniciar um diálogo sério e frutuoso, com vistas a reparar a divisão entre esses católicos e a Sé de Pedro. Como um desses Bispos havia falado bobagens, negando o extermínio dos judeus por parte dos nazistas, viu-se o resultado: a triste, artificial e indecente polêmica em torno da pessoa e da intenção do Santo Padre. Viu-se, aqui no Brasil, revistas, jornais e comentadores de televisão e internet afirmando as mais estúpidas asneiras, com ares de autoridade e moralismo... Tudo isto nos deve alertar para alguns elementos importantes diante dos meios de comunicação:

 

Arnaldo Jabor: má-fé, incompetência e pilantragem

no modo de falar da Igreja e do Papa

 

 

1. Há algumas décadas os grandes veículos de comunicação tinham um jornalista especializado em assuntos religiosos, que compreendia a linguagem e os meandros das questões teológicas e eclesiásticas, de modo que as reportagens e comentários eram relativamente fundadas e sérias. Hoje, não. Qualquer reportezinho, sem o mínimo senso e sem a mínima compreensão da Igreja, da teologia, do Direito Canônico, mete-se a falar: é o Arnaldo Jabor, é a Ilze Scamparini, é o William Waak... E aí são tolices de arrepiar. Resumindo: os comunicadores, em geral, ao falar das coisas da Igreja, em geral, falam do que não compreendem e, por isso, falam com imprecisão e erro.

 

2. Além disso, é preciso compreender que, num mundo neo-pagão como o nosso, já não se compreende as motivações evangélicas da ação e das posições da Igreja: bioética, moral sexual, moral da família, modo de avaliar a vida e outros aspectos do cristianismo são vistos com antipatia e má-vontade pelo mundo do politicamente correto. Consequentemente, o modo de noticiar a posição da Igreja será sempre desfavorável e parcial, quando não injusto e caluniador.

 

3. Há, enfim, meios de comunicação e comunicadores que são consciente e claramente anticatólicos e usam de deturpação, da má-fé, da mentira e da desinformação para apresentar a Igreja, seus membros e suas ações como odiosas e antipáticas.

 

É muito importante que os católicos tenham esta realidade bem presente quando se trata de avaliar o que os meios de comunicação dizem sobre a Igreja e seus assuntos específicos. No caso particular de Bento XVI, de modo geral, há uma forte má-vontade da mídia em relação a ele, desde os tempos de sua atividade como Cardeal à frente da Congregação para a Doutrina da Fé. Nenhum meio de comunicação é obrigado a gostar do Papa; mas é obrigado a noticiar as coisas com senso de compromisso com a verdade e não fazer a confusão que se fez com a questão dos Bispos excomungados.

 

Quanto aos católicos, é de se esperar que amem de verdade a Igreja de Cristo, prezem seus pastores - sobretudo o Sucessor de Pedro -, rezem por eles e com eles estejam em comunhão sincera e leal. Num mundo pagão e confuso como o nosso, é indispensável esta união dos católicos em torno de seus pastores, lembrando sempre que a missão e autoridade que eles receberam não vêm dos homens, mas do próprio Cristo Jesus. A crítica leviana, a dissensão, a desobediência ao Papa e aos legítimos pastores da Igreja são um triste modo de prejudicar a vida dos cristãos, de enfraquecer a Igreja e de escandalizar tantos e tantos irmãos na fé, além de lançar no descrédito a própria Mãe católica. A Igreja não é um partido, um grupo democrático nem uma associação filantrópica: ela é a Esposa de Cristo, nossa Mãe e ministra da salvação que nosso Redentor conquistou com sua cruz e ressurreição; ela é Templo vivo do Espírito Santo, credora do nosso amor, do nosso cuidado e da nossa obediência filial. Pensemos bem nisso.

 

Bento XVI: sempre visado pelos inimigos



Escrito por Pe. Henrique às 23h45
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   Angustiante realidade

 

Caro Leitor, ofereço-lhe para reflexão estes extratos da conclusão do livro “Como a Igreja Católica construiu a civilização ocidental”, de Thomas E. Woods Jr. Dá o que pensar e o que chorar... E ainda mais por muitíssimos membros da Igreja atual não conseguirem enxergar isso...

 

Paradoxalmente, a importância da Igreja para a civilização ocidental foi-se tornando cada vez mais clara à medida que sua influência diminuía.

 

O mundo da arte fornece-nos, talvez, a mais dramática e notória evidência das consequências do eclipse parcial da Igreja no mundo moderno. Jude Dougherty, decano emérito da School of Philosophy da Catholic University, falou de uma conexão “entre a empobrecida filosofia anti-metafísica dos nossos dias e o efeito debilitante sobre as artes”.

 

A doce e estupenda dignidade do homem
criado por Deus à sua imagem

 

 

De acordo com esse professor, há uma ligação entre a arte de uma civilização e a sua crença e consciência sobre o transcendente. “Sem um reconhecimento metafísico do transcendente, sem o reconhecimento de um intelecto divino que é, ao mesmo tempo, fonte da ordem natural e cumprimento das aspirações humanas, a realidade é construída em meros termos materiais. O homem converte-se em medida de todas as coisas, sem o menor compromisso com a ordem objetiva. A vida em si mesma torna-se vazia e sem propósito. Essa aridez encontra a sua expressão a perversidade e esterilidade da arte moderna”.

 

Quando uma pessoa acredita que a vida não tem qualquer significado e é fruto de um puro acaso, que não é guiada por uma força ou princípio superior, quem poderá surpreender-se de que essa ausência de sentido se reflita na sua arte?

 

Friedrich Nietzsche escreveu: “O horizonte (sem Deus) fica finalmente livre diante de nós, embora haja que reconhecer que não e brilhante; ao menos o mar, o nosso mar, se abre aberto diante de nós”. O que significa dizer que não existe ordem ou sentido no universo além daqueles que o próprio homem decida dar-lhe.

 

Nesse ínterim, o modernismo literário ocupou-se em abalar os pilares da ordem no âmbito da palavra escrita... Eis como começa “A Metamorfose” de Franz Kafka: “Quando Gregor Samsa despertou uma manhã de um sonho perturbador, descobriu que, enquanto dormia, as havia transformado em um gigantesco inseto”...

 

Kafka: o homem, imagem de Deus, reduzido a um inseto

 

 

Jean-Paul Sartre e a sua escola de pensamento existencialista proclamaram que o universo era totalmente absurdo e a vida, em si mesma, completamente sem sentido. E como é que, então, a pessoa deveria viver? Encarando corajosamente o vazio, reconhecendo com franqueza que nada tem sentido e que não existem valores absolutos. E, logicamente, cada qual construindo seus próprios valores e vivendo de acordo com eles...

 

As artes visuais foram afetadas por esse meio filosófico. O artista medieval, consciente de que o seu papel era comunicar alguma coisa maior do que ele mesmo, normalmente não assinava as suas obras. Desejava chamar atenção não para si próprio, mas o tema de suas obras. Com a Renascença, começou a surgir um novo conceito de artista, que atingiu sua maturidade no romanticismo do século XIX: a arte concentrou-se em exprimir os sentimentos, as lutas, as emoções e as idiossincrasias do próprio artista; a arte tornou-se uma forma de autoexpressão. Com o passar do tempo, essa romântica autopreocupação degenerou no simples narcisismo e niilismo da arte moderna. Em 1917, o artista francês Marcel Duchamp chocava o mundo da arte ao apor a sua assinatura em um urinol e expô-lo como uma obra de arte. Fala por sim mesmo o fato de que, em uma votação de quinhentos peritos em arte realizada em 2004, tenha-se atribuído à “Fountain” de Duchamps o título de “a obra de arte mais influente da arte moderna”.

 

A Igreja, que pede aos seus filhos que sejam generosos na transmissão da vida, vê até mesmo esta mensagem tão fundamental cair em ouvidos surdos na Europa Ocidental, que não chega sequer a ter filhos suficientes para garantir a continuidade das gerações. A Europa afastou-se a tal ponto da fé que a construiu, que a União Europeia não foi capaz de reconhecer-se devedora há herança cristã na sua Constituição. Muitas das grandes catedrais que uma vez testemunharam as convicções religiosas de um povo tornaram-se, nos dias atuais, peças de museu, curiosidades interessantes para um mundo descrente.

 

Mas, a autoimposta amnésia histórica do Ocidente não pode desfazer o passado nem o papel central da Igrej na construção da civilização ocidental. “Eu não sou católica”, escreveu a filósofa francesa Simone Weil, “mas considero os princípios cristãos – que têm as suas raízes no pensamento grego e que, no transcorrer dos séculos, alimentaram todas as nossas civilizações europeias – como algo a que uma pessoa não pode renunciar sem se aviltar.


Fountain: a "maravilhosa" obra de arte
de Marcel Duchamp:
retrato do que o homem se tornou...

 

 

Observação minha:

 

Se a Igreja deseja ainda ter alguma influência positiva duradoura e salutar na civilização ocidental, não será enganando-se com um excesso de busca de diálogo com o mundo – muitas vezes com o perigo até de empanar a essência de sua fé e de sua esperança e renegar muito de sua própria identidade. Muito pelo contrário: a força da Igreja está em ser fidelíssima ao núcleo que a gerou: a adesão apaixonada a Jesus morto e ressuscitado, nosso Salvador, a fidelidade à Tradição apostólica, amadurecida nos séculos de sua história e a coragem de proclamar a fé cristã com toda a sua riqueza e com toda a sua exigência. A maioria não compreenderá nem aceitará, mas o que compreenderem e aceitarem serão sal e luz de um mundo renovado e uma civilização ocidental revitalizada. A outra opção é a escravidão ao politicamente correto, ao humanismo sem Deus e ao vazio de coração e a solidão do homem rebelde a Deus.

 

O portal da Catedral de Chartres:

porta do céu, destino do homem, inspiração para a vida.



Escrito por Pe. Henrique às 23h37
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Tua Palavra, meu pão

Da Carta sobre a Vida contemplativa, de Guigues de Chartres (1083-1136), Prior da Grande Cartuxa:

 

«Senhor, Tu a quem só os corações puros podem ver (Mt 5, 8), eu procuro, na leitura e na meditação, encontrar a verdadeira pureza do coração e a forma de a obter para poder, graças a ela, conhecer-Te, por pouco que seja. Procurei o Teu rosto, Senhor, procurei o Teu rosto (Sl 26,8). Meditei muito dentro do meu coração, e um fogo se iluminou na minha meditação: o desejo de Te conhecer melhor. Quando Tu partes para mim o pão da Sagrada Escritura, eu reconheço-Te nessa fração de pão (Lc 24,30-35). E quanto melhor Te conheço, mais desejo conhecer-Te, não só no sentido do texto, mas no sabor da experiência.

 

Não o peço, Senhor, pelos meus méritos, mas por causa da Tua misericórdia. Devo confessar que sou, realmente, pecador e indigno, mas «mas até os cachorrinhos comem debaixo da mesa as migalhas dos filhos». Dá-me portanto, Senhor, em fiança pela herança futura, ao menos uma gota da chuva celeste para refrescar a minha sede, pois estou sequioso de amor».

 

É através deste tipo de discursos que a alma chama pelo seu Esposo. E o Senhor, que olha pelos justos e que não ouve apenas as suas preces, mas está presente nessa oração, não espera pelo final. Ele interrompe o discurso a meio; aparece de repente, vem rapidamente ao encontro da alma que O deseja, fluindo no doce orvalho do céu como o perfume mais precioso. Ele recria a alma fatigada, alimenta a que tem fome, fortifica a sua fragilidade, reaviva-a mortificando-a através de um admirável esquecimento de si própria, torna-a sóbria ao enebriá-la.

 




Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 14h44
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O amor, forte como a morte

Das Homilias de Balduíno de Ford (séc. XII), abade cisterciense:

 

«Grava-me como selo em teu coração, porque forte como a morte é o amor» (Ct 8,6). «Forte como a morte é o amor» porque o amor de Cristo é a morte da morte. Da mesma forma, o amor com que amamos a Cristo é, também ele, forte como a morte, porque constitui, à sua maneira, uma morte: uma morte que põe fim à vida velha, em que os vícios são abolidos e as obras mortas são abandonadas. De fato, o amor que temos a Cristo – mesmo estando longe de igualar aquele que Cristo tem por nós – é à imagem e semelhança do Seu. Cristo, efetivamente, «amou-nos primeiro» (1Jo 4,19) e, através do exemplo que nos deu, tornou-Se para nós um selo, a fim de que nos tornemos conformes à Sua imagem.

 

É por isso que Ele nos diz: «Grava-Me como selo em teu coração», como se dissesse: «Ama-me como Eu te amo. Guarda-Me no teu espírito, na tua memória, no teu desejo, nos teus suspiros, nos teus gemidos, nos teus soluços. Lembra-te, homem, de que natureza te criei: de quanto te preferi às outras criaturas, de que dignidade de enobreci, de que glória e de que honra te coroei e como te fiz pouco inferior aos anjos e como tudo coloquei sob os teus pés (Sl 8,6-7). Lembra-te, não apenas de tudo o que fiz por ti, mas ainda de tudo aquilo que, de fato, suportei da tua parte, em sofrimento e desprezo. E vê se não és injusto para comigo, não Me amando. Quem, pois, te amou como Eu? Quem te criou, se não Eu? Quem te resgatou, se não Eu?»

 

Senhor, arranca de mim este coração de pedra, este coração gelado, este coração incircunciso. E dá-me um coração novo, um coração de carne, um coração puro (Ez 36,26). Tu, que purificas o coração e que amas o coração puro, vem possuir e habitar o meu coração; envolve-o e enche-o, Tu que ultrapassas tudo o que sou e que me és mais interior e íntimo do que eu mesmo. Tu, o modelo da beleza e o selo da santidade, confirma o meu coração à tua imagem, marca o meu coração com a tua misericórdia, Deus do meu coração, meu refúgio e minha herança para sempre (Sl 72,26).

 




Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 18h45
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A oração: de coração a Coração

Dos pensamentos de São Pio de Pietrelcina (1887-1968),sacerdote capuchinho:

 

A oração é um coração a coração com Deus. A oração bem feita toca o coração de Deus, incitando-O a ouvir-nos. Quando rezamos, que todo o nosso ser se volte para Deus: os nossos pensamentos, o nosso coração. O Senhor deixar-Se-á vencer e virá em nosso auxílio.

 

Reza e espera. Não te agites; a agitação é inútil. Deus é misericórdia e há de escutar a tua oração. A oração é a nossa melhor arma: é a chave que abre o coração de Deus. Deves dirigir-te a Jesus, menos com os lábios do que com o coração.

 




Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 15h53
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   O Big Bang: o que havia antes? Quem criou o núcleo do átomo inicial? Quem detonou o pavio?

Caro Leitor, eis uns extratos do livro “A Linguagem de Deus”, de Francis S. Collins, Diretor do Projeto Genoma. É bom ter bem presente que fé e ciência não são antagônicas ,a não ser na cabeça de preconceituosos de um lado ou do outro...

 

Os físicos concordam que o universo começou como um ponto de pura energia se dimensões e de densidade infinita. Pelo menos até aqui, os cientistas acham-se incapazes de interpretar os primeiríssimos eventos na explosão que ocuparam os 10-43 segundos iniciais (um décimo de milhão de milhão de milhão de milhão de milhão de milhão de milhão de segundo!).

 

A existência do Big Bang suplica por uma pergunta sobre o que veio antes e quem ou o que foi o responsável. Certamente, isto demonstra os limites da ciência como nenhum outro fenômeno. As consequências da teoria do Big Bang para e Teologia são profundas. Para as tradições da fé, de acordo com as quais o universo foi criado por Deus a partir do nada, eis um resultado eletrizante.

 

A sensação de admiração criada por tais descobertas teve outros efeitos, além de fazer alguns poucos cientistas falarem exatamente como teólogos. Em God and the Astronomers (Deus e os astrônomos), o astrofísico Robert Jastrow escreveu: “Neste momento parece que ciência nunca será capaz de erguer a cortina do mistério da criação. Para o cientista que viveu pela sua fé na força da razão, a história encerra como um sonho ruim. Ele escalou as montanhas da ignorância; vê-se prestes a conquistar o pico mais alto; à medida que se puxa para a rocha final, é saudado por um grupo de teólogos que estiveram sentados ali durante séculos.

 

Agora vemos como a evidência astronômica conduziu a uma visão bíblica sobre a origem do mundo. Há diferença nos detalhes, porém os elementos essenciais e as considerações astronômicas e bíblicas sobre a gênese sãos as mesmas: a cadeia de eventos conduzindo ao homem iniciou de modo repentino e preciso em um momento definido no tempo, em um brilho de luz e energia”.

 

Tenho de concordar. O Big Bang grita por uma explicação divina. Obriga à conclusão de que a natureza teve um princípio definido. Não consigo ver como a natureza pôde ter-se criado a si mesma. Apenas uma força sobrenatural, fora do tempo e do espaço, poderia tê-la originado.

 




Escrito por Pe. Henrique às 00h34
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Sede de ti, saudade de ti!

Dos escritos de Santa Teresa d'Ávila (1515-1582), monja carmelita e doutora da Igreja:

 

Ó Deus verdadeiro e Senhor meu! Para a alma afligida pela solidão em que vive na Tua ausência, é grande consolo saber que estás em toda a parte. Mas que sentido há nisto, Senhor, quando a força do amor e a impetuosidade desta pena aumentam, e o coração se atormenta, a tal ponto, que nem podemos já compreender nem conhecer tal verdade? A alma percebe apenas que está apartada de Ti, e nenhum remédio admite. Porque o coração que muito ama não consente outros conselhos nem consolos, senão os vindos d'Aquele que o feriu; d'Ele, somente, espera a cura para a pena.

 

Quando Tu queres, Senhor, depressa saras a ferida que fizeste. Ó meu Bem-Amado, com quanta compaixão, com quanta doçura, bondade e ternura, com quantas mostras de amor Tu saras estas chagas feitas com as setas do Teu amor! Ó meu Deus, Tu és o repouso para todas as penas.

 

Não será loucura vã procurar meios humanos para curar os que vivem enfermos do divino fogo? Quem poderá saber aonde tal ferida chegará, donde vem, e como mitigar tão penoso tormento? Quanta razão tem a esposa do Cântico dos Cânticos, ao dizer: «O meu amado é para mim e eu para ele!» (Ct 2,16) Porque o amor que sinto não pode ter origem em algo tão baixo como é este meu amor. E, no entanto, Esposo meu, sendo ele assim tão baixo, como entender que seja afinal capaz de superar todas as coisas criadas, para chegar a seu Criador?

 

 



Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 11h01
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Sustenta-me, Senhor, e viverei!

Dos Escritos de São Jerónimo (347-420), presbítero e doutor da Igreja:

 

«Aproximando-Se, Jesus tomou-a pela mão e levantou-a». Com efeito, esta doente não conseguia levantar-se sozinha; estando acamada, não conseguia ir ao encontro de Jesus. Mas este médico misericordioso aproximou-Se da cama dela. Aquele que havia trazido uma ovelha doente aos ombros (Lc 15 5) aproxima-Se agora desta cama. Ele aproxima-se sempre mais, para curar ainda mais. Reparem bem no que está escrito aqui: «Tu devias certamente ter vindo ao Meu encontro, ter vindo acolher-Me à porta da tua casa; mas então a tua cura não resultaria tanto da Minha misericórdia, mas da tua vontade. Uma vez que uma febre tão forte te oprime e te impede de te levantares, Eu próprio venho ter contigo.»

 

«E levantou-a». Como ela não se conseguia erguer sozinha, é o Senhor que a levanta. «Ele tomou-a pela mão e levantou-a». Quando Pedro se encontrava em perigo no mar, no momento em que ia afogar-se, também ele foi tomado pela mão e se levantou. Que bela marca de amizade e de afeição por esta doente! Ele levanta-a tomando-a pela mão; a Sua mão curou a mão da doente. Ele pegou nesta mão como o teria feito um médico, que toma o pulso e avalia o grau de febre, Ele que é simultaneamente médico e remédio. Jesus toca-lhe e a febre desaparece.

 

Desejemos que Ele toque na nossa mão para que, assim, os nossos atos sejam purificados. Que Ele entre em nossa casa: levantemo-nos da nossa cama, não fiquemos deitados. Jesus encontra-Se à nossa cabeceira e nós permanecemos deitados? Vamos lá, levantemo-nos! «No meio de vós encontra-se Alguém que não conheceis» (Jo 1,26); «o Reino de Deus está dentro de vós» (Lc 17,21). Tenhamos fé e veremos Jesus presente no meio de nós.

 




Categoria: Meditações
Escrito por Pe. Henrique às 12h51
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